A Apicectomia trata-se de um ato de ressecção apical, indicada em casos de perfurações de raízes no terço apical, fratura de instrumentos endodônticos, raízes dilaceradas, presença de ramificações com canais não obturados ou o insucesso do tratamento endodôntico onde permanece a presença de microorganismos nas áreas radiculares apicais mesmo após o processo de desinfecção e obturação do mesmoUtilizando as técnicas de sondagem periodontal, exame radiográfico, fistulografia, transiluminação, teste de mobilidade, de vitalidade pulpar e em alguns casos com auxilio de um tomógrafo, o diagnóstico de fratura radicular tornasse mais claro, direcionando qual melhor terapêutica a ser indicada, neste caso, a apicectomia surge como uma alternativa para evitar uma exodontia.
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Paciente do sexo feminino de 40 anos, caucasiana, não fumante, sem hábitos nocivos, foi encaminhada ao consultório apresentando desconforto à compressão digital com sinais de extravasamento de pus pelo colo cervical do elemento 12.

FIGURA 1
Visualização inicial

A sondagem periodontal evidenciou perda óssea na face vestibular (10 mm), a radiografia periapical revela radiolucidez não delimitada sugestiva de granuloma, formada por tecido inflamatório envolvendo o ápice radicular desvitalizado.

FIGURA 2 (2)
Sondagem periodontal inicial
FIGURA 3
Comparativo da profundidade de bolsa
FIGURA 4
Radiografia periapical inicial

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Na assepsia extraoral, foi utilizado CLOREXORAL a 2% da empresa Biodinâmica, evitando com isso reações alérgicas a produtos com base de iodo e garantindo uma correta área asséptica. Já para intraoral, foi utilizado digluconato de clorexidina a 0,12% como bochecho por 60 segundos.

O procedimento cirúrgico foi realizado com anestésico local injetável CLORIDRATO de ARTICAÍNA + EPINEFRINA/ 72MG+18 UG CARPULE de modo infiltrativo e localizado.

A incisão foi realizada com lâmina cirúrgica de curto diâmetro em uma angulação de biselamento de 45 graus, expondo somente a área a ser trabalhada (técnica retalho semilunar), preservando uma parte da gengiva inserida, garantindo boa irrigação sanguínea na área cirúrgica e preservando as papilas interdentais.

FIGURA 8
Acesso semi-lunar na região do dente 12, preservando as papilas.

A fratura resultou na dilaceração do delta apical, neste caso envolvendo possíveis canais laterais e ramificações apicais. (93% a 98% segundo KIM et al. – 2001- Microsurgery in endodontics. W.B. Saunders Company; 172p).

Seguindo as recomendações de NEDDERMAN et al; e CARR G.B, foram selecionadas brocas de alta rotação tanto para melhora do acesso ósseo quanto para remodelação apical com irrigação contínua de soro fisiológico.

O ápice radicular fraturado foi removido, toda a loja cirúrgica foi curetada e a raiz dentária debridada, com irrigação constante, removendo áreas que podem formar degraus e com isso, servindo de reservatórios de tecido pulpar necrótico e de bactérias, levando ao insucesso do procedimento.

FIGURA 12
Depois da curetagem da lesão, sondagem por dentro da parede óssea vestibular
FIGURA 14
Região do ápice radicular fraturado já removida.

O remanescente radicular foi remodelado a uma angulação de 90 graus, garantindo o aumento da área disponível para reinserção do ligamento periodontal (MAILLET et al. 1996) evitando uma maior exposição de túbulos dentinários e preservando um maior remanescente radicular.

O alvéolo foi devidamente preenchido com ALVEOLEX (Biodinâmica), este material foi selecionado por ser um produto biocompatível, possuir leve ação antimicrobiana, auxiliar e estimular a regeneração tecidual, garantindo a paciente um pós-cirúrgico mais confortável e uma correta recuperação da loja cirúrgica.

FIGURA 18
Após remodelação radicular, preenchimento do alvéolo com ALVEOLEX.
FIGURA 20
Com o alveolo devidamente preenchido, foi feita a remoção do excesso de material.

A sutura realizada com fio seda trançada 4-0 com pontos simples mantendo uma mínima distância entre eles para que a mesma possa higienizar a área cirúrgica com uma gaze e gel de clorexidina.

FIGURA 22
Área suturada, com sutura próxima às papilas.

A mesma foi submetida a controles radiográficos periódicos.

FIGURA 24-4
Radiografia periapical final.
FIGURA 25
Imagem com contraste mostrando a ausência da lesão

Comparação da radiografia periapical inicial e final

1-2

Conclusão

Ao final da cirurgia, constatou-se que o uso da técnica de apicectomia, quando corretamente indicada, se mostra uma alternativa bastante eficaz para garantir uma maior sobrevida a elementos dentais que apresentam lesões ou que sofreram dilacerações em seus deltas apicais, evitando possíveis exodontias, preservando estruturas ósseas e com isso, mantendo um maior equilíbrio bucal.


 

RODRIGOAutor: Rodrigo Cirilo Deutsch
Especialista em Periodontia (UEL/Pr)
Professor Assistente e Monitor Clínico do curso de Especialização em Implantodontia do Instituto Ingá (UNINGÁ) sede Londrina;
Membro da Associação Brasileira de Analgesia e Sedação Consciente em Odontologia – ABASCO

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