Doença infecto contagiosa, exclusiva da espécie humana, de evolução crônica, causada pela bactéria Treponema Pallidum e que se caracteriza por períodos de agudização e latência. As principais vias de transmissão dessa patologia são o contato sexual e da mãe para o feto sendo a contaminação por transfusão de sangue  extremamente rara. A Sífilis está entre as lesões granulomatosas.

sifilis

Características Clínicas

Sífilis Primária: Três a noventa dias após o contato com agente agressor, caracteriza-se pela presença do cranco, uma úlcera com fundo límpido que não supura e endurecida à palpação.

O local intraoral mais acometido é o lábio (superior no homens e inferior nas mulheres), entretanto pode se manifestar em outros sítios como língua, palato e gengiva. A lesão oral apresenta-se raramente como uma proliferação vascular o que a torna semelhante ao granuloma piogênico.

Nessa fase a bactéria está se disseminando sistemicamente pelos vasos linfáticos.

Sífilis Secundária (disseminada): 4 a 10 semanas após infecção inicial podendo iniciar-se sem que tenha ocorrido resolução da sífilis primária. Nesse momento ocorre a disseminação hematógena do germe e surgem os sintomas sistêmicos como dor de garganta, febre, dor de cabeça e perda de peso. Um sinal acentuado é a presença de erupção cutânea maculopapular espalhada por todo o corpo. Na região oral, notam-se úlceras na mucosa recobertas por pseudomembranas e eritema associado: placas mucosas da Sífilis. Essas lesões são encontradas com mais frequência na língua e nos lábios. Quando ocorrem placas mucosas elevadas sobre a comissura labial denomina-se pápulas fendidas.

As lesões tem cicatrização espontânea em cerca de 2 meses e o paciente entra em uma fase livre de sintomas, a sifilis latente, que pode durar de 1 a 30 anos.

Sífilis Terciária: Estágio em que ocorrem os comprometimentos mais graves da doença como aneurisma da aorta ascendente, hipertrofia vetricular esquerda, lesões oculares e envolvimento do sistema nervoso central podendo levar à psicose e demência.

Na mucosa e tecidos moles percebe-se sítio de inflamação granulomatoso chamado de goma que se apresenta em forma de úlcera com borda firme e elevada na língua ou palato. Geralmente, quando o palato é envolvido, a ulcera o perfura.

Sífilis Congênita:  Caracterizada pela “Tríade de Hutchinson” que abrange os três achados patognomônicos da doença que são; dentes de hutchinson (molares em amora e incisivos em forma de chave de fenda); ceratite ocular intersticial e surdez.  Além disso podem ocorrer outras alterações como  deformidade do nariz em sela, palato ogival, hidrocefalia, retardo mental, etc.  [divider]

Características Histopatológicas

A principal característica é a infecção granulomatosa com células gigantes multinucleadas.

Sífilis Primária: Supercie epitelial ulcerada. Infiltrado inflamatório crônico perivascular de plasmócitos e linfócitos.

Sífilis Secundária: Hiperplasia epitelial com espongiose e exocitose. Se associados a infiltrado plasmocitário sugere diagnóstico da doença. É possível visualização da bactéria.

Sífilis Terciária: Focos de inflamação granulomatosa com coleções bem circunscritas de histiócitos e células gigantes. Não há evidência do microorganismo.[divider]

Tratamento

Para se obter adequado diagnóstico é importante avaliar características individuais de cada paciente bem como determinar a fase da doença. O uso de penicilina G benzatina em dose única é de escolha para sífilis primária e secundária. Em casos de sífilis terciária é necessário doses contínuas e repetidas. Pacientes com alergia a penicilina podem fazer uso da doxicilina.[divider]

Considerações Finais

A sífilis é uma DST que pode comprometer múltiplos orgãos como pele, ossos, sistema cardiovascular e sistema nervoso.  Afeta a região oral e maxilofacial de várias formas podendo ser citadas alterações graves de anatomia dental e palato ogival. Com o conhecimento de sua etipatogenia, entretanto, é possível reduzir os índices de infecção bem como se obter  bons prognósticos.

Referências

NEVILLE, B. W. et al. Patologia oral e maxilo facial

Autor: Suyany Gabriely Weiss, 18 anos. Acadêmico do curso de Odontologia da Universidade Positivo, Curitiba – PR

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