Miosite Ossificante Traumática (MOT) é uma lesão não-neoplásica rara, caracterizada pela proliferação de tecido fibroso e formação de grande quantidade de osso dentro de um músculo (AOKI et al., 2002). Na região de cabeça e pescoço acomete os músculos da mastigação, com predileção pelo sexo masculino e sem predileção por idade (ACKERMAN, 1958).

Etiologia

A patogênese não está totalmente explicada, mas tem o trauma como fator etiológico principal. Na região de cabeça e pescoço o músculo masséter é o mais acometido, uma vez que se localiza na porção lateral da mandíbula, sendo o mais suscetível a receber forças diretas (AOKI et al., 2002).

Manifestações clínicas e radiográficas

Sua apresentação clínica mais comum é o trismo. Também podem vir associados a dor, alteração de sensibilidade, limitação de movimento do músculo afetado e presença de edema localizado (WIGGINS et al., 2008).

Radiograficamente, apresenta-se como uma massa calcificada bem delimitada dentro de um músculo. Exames como radiografia panorâmica, tomografia computadorizada e ultrassonografia são bastante utilizados para o correto diagnóstico (GODHI et al., 2011).

Diagnóstico diferencial

A MOT pode ser uma das causas da anquilose da articulação têmporo-mandibular e de doenças que tenham como característica a limitação de abertura bucal, como deslocamento anterior de disco sem redução, alargamento do processo coronóide e reação de corpo estranho (SPINZIA et al., 2014). Também pode ser diagnóstico diferencial de doenças malignas, como o osteossarcoma (THANGAVELU et al., 2011).

Tratamento

A modalidade de tratamento aceita universalmente é a excisão completa da massa ossificada (GODHI et al., 2011). No entanto, alternativas de tratamento já foram propostas na literatura. Entre elas, o tratamento conservador, que consiste no uso de AINES, bifosfonatos e radiação de baixa potência (WIEDER, 1992; STEIDL et al., 1991).

A fisioterapia intensiva deve ser indicada como parte dos cuidados pós-operatórios, para recuperação da função mastigatória e diminuição significativa das taxas de recidiva da doença (JAYADE et al., 2013).

ODO_5840Autor: Katheleen Miranda dos Santos
Graduação em Odontologia pela Universidade Positivo.
Aluna da Pós-Graduação em Cirurgia e Traumatologia
Buco-Maxilo-Facial da Universidade Positivo.

Referências

  1. ACKERMAN LV, Extra-osseous localized non-neoplastic bone and cartilage formation (so-called myositis ossificants). J Bone Joint Surg Am 1958;49:279-98.
  2. AOKI T, NAITO H, OTA Y, SHIKII K. Myositis ossificans traumática of the masticatory muscles: review of the literature and report of a case. J Oral Maxillofacial Surgery 2002;60:1083-8.
  3. GODHI SS, SINGH A, KUKREJA P, SINGH V. Myositis ossificans circumscripta involving bilateral masticatory muscles. The Journal of Craniofacial Surgery.2011 Nov;22(6):e11-3.
  4. JAYADE B, ADIRAJAIAH S, VADERA H, KUNDALASWAMY G, SATTUR AP and KALKUR C. Myositis ossificans in medial, lateral pterygoid, and contralateral temporalis muscles: a rare case report. 116 No. 4 October 2013.
  5. SPINZIA A, MOSCATO G, BROCCARDO E, CASTELLETTI L, MAGLITTO F, DELL1AVERSANA G PIOMBINO P. 2014. A rare isolated unilateral myositis ossificans traumatica of the lateral pterygoid muscle: a case report. Journal of Medical Case Reports. 8:230.
  6. STEIDL L, DITMAR R. Treatment of soft tissue calcifications with magnesium. Acta Univ Palacki Olomuc Fac Med 1991;130:273-87.
  7. THANGAVELU A, VAIDHYANATHAN A, NARENDAR R. Myositis ossificans traumatica of the medial pterygoid. Int J Oral Maxillofac Surg 2011; 40:545-58.
  8. WIEDER DL. Treatment of myositis ossificans with acetic acid iontophoresis. Phys Ther 1992; 72:133-7.
  9. WIGGINS RL, THURBER D, ABRAMOVITCH K, BOUQUOTt J VIGNESWARAN N. Myositis ossificans circumscripta of the buccinators muscle: first report of a rare complication of mandibular third molar extraction. J Oral Maxillofac Surg 2008;66: 1959-63.

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