O amálgama é ainda um material muito utilizado na odontologia de país em desenvolvimento. Suas propriedades físicas e químicas proporcionam um biocompatibilidade e resistência excelentes. Esse post vai mostrar para vocês as características mais importantes do amálgama, além de passos operatórios para realizar uma restauração bem-sucedida.

Amálgama

É um excelente material para restauração de dentes posteriores, mas seu uso está em declínio devido ao apelo estético das resinas e as controvérsias sobre a sua toxina.

*Uma liga metálica constituída por mercúrio, prata, estanho e cobre.

Prata

  • Se associa ao estanho – fase γ (Ag3Sn);
  • Aumento da resistência mecânica;
  • Diminuição do escoamento;
  • Aumento da expansão de presa.

Estanho

  • Facilita a mistura com o mercúrio (amalgamação);
  • Auxilia na redução da expansão da prata.

Cobre

  • Substitui parcialmente a prata;
  • Aumento da resistência mecânica e dureza;
  • Diminuição do escoamento e da corrosão;

Teor de cobre menor que 6% ligas de baixo teor de cobre. A liga se beneficia com o cobre a partir de 13%.

Zinco

  • Auxiliar no processo de fabricação (de oxidante da liga) – lixeiro;
  • Contaminação por água – expansão tardia (pode fraturar o dente).

Zn + H2O > ZnO + H2

Índio e paládio

  • Aumento da resistência mecânica;
  • Aumento da resistência a corrosão;

Baixo teor de cobre (< 6% de Cu) > convencionais

Limalha

  • Confecção do lingote;
  • Componentes são fundidos;
  • Resfriamento rápido – segregação;
  • Tratamento térmico homogeneizador;
  • Corte em aparos e moagem.

Partículas esféricas

  • Obtidos por otimização;
  • Formato esférico de vários tamanhos.

Fase gama 2 é menos resistente

O cobre (Cu) > a liga Ag + Cu é responsável pela eliminação da fase gama 2. Porque ele reage com ela e vira – h – Cu6Sn5.

Manipulação

  • Por cápsula que já vem dosadas.

Bastante excesso para brunidura pré-escultura > Esculpe > Brunidura pós-escultura (movimentos livres) até deixar brilhante.

  • Trituração – obter massa plástica (brilho meio fosco, não muito quente e solta fácil da capsula);
  • Condensação – adaptação a cavidade, eliminar porosidade e excluso de mercúrio. Limalha = menor condensador / maior / esfera. Maior e depois menor (com pressão);
  • Brunidura pré-escultura – brunidor 29 com movimento lento e com força, fazer o mercúrio aflorar para ser removido;
  • Escultura – restabelecer a forma (Hollenback, cortante…) instrumentos bem afiados e apoiados na parede remanescente;
  • Brunidura pós-escultura – acabamento, lisura, brilho com condensador com movimentos livres e rápidos.

Aplicar 2 camadas de verniz sempre no mesmo sentido com jato de ar de 15 segundos a 20 segundos (eliminar todo o solvente).

Serve para vedar os túbulos dentinários para evitar que a dentina seja contaminada pelos íons pratas etc…

Bom vedamento marginal que vedam a interface por causa dos produtos de corrosão.

Toxidade do mercúrio

Formas de absorção

Ingestão > pele > inalação

Princípios mecânicos e biológicos

Mecânicos

Por que alguns dentes restaurados ou não, apresentam fraturas?

  • Restauração
  • Longo eixo
  • Cúspide

Efeito cunha

“Ação dos componentes horizontais de força sobre superfície inclinadas e apostas, podendo ou não separa-las”.

  • Quando ocorre preparos;
  • Causa trauma, deslocamento e/ou fratura.

Princípios mecânicos aplicado às restaurações

Classe I –

0,5mm além da junção amelo-dentinário

Resistência ® porção oclusal ® maior proximidade carga.

Orientação da parede pulpar

Istmo – distância entre vestibular e oclusal.

Seguir os prismas de esmalte no preparo da cavidade. Para evitar que os prismas fiquem sem suporte dentinário.

Cuidados – evitar:

  • Evitar remoção desnecessária de dentina;
  • Desenvolvimento excessivo de calor;
  • Pressão exagerada sobre a dentina;
  • Uso de substancias nocivas à polpa;
  • Restauração com materiais inadequados;
  • Tocar no dente vizinho;
  • Atingir tecidos moles.

Realizar:

  • Isolamento absoluto;
  • Proteção do CDP;
  • Acabamento das paredes circundantes;

Objetivo

“Fazer com que o dente restaurado possa corresponder na sua forma, função e estética originais”.

Técnica restauradora

Porta matriz

  • Condensa em 3 passos       1,2,3 para melhor condensação

Brunidura pré-escultural

  • Melhora adaptação da amálgama às margens cavitárias;

Brunidor 29

  • Facilita a escultura;
  • Remove excesso com a ponta da sonda exploradora.

Escultura da caixa oclusal

  • Hollenback 3s ou 3 (lâmina maior);

Brunidura pós-escultura

  • Sem polimento.

Tritura do material

  • 5 minutos;
  • Leva o material com a porta-amálgama em pequenas porções.

Condensação (Word ou Hollenback)

  • Compressão 132 (com força) do diâmetro menor para o maior;
  • Preencher a cavidade com excesso;
  • Brunidura pré-escultura   B.n°29 – aflora o mercúrio e diminui a porosidade e corrosão.

Escultura

  • Sonda / Hollenback 3 s (10 minutos).

Brunidura pós escultura

  • Polimento (24/48 horas após).

Matrizes e cunhas

Dispositivo que substitui uma ou mais paredes ausentes em uma cavidade, promovendo a reconstrução correta do contorno por meio de uma restauração.

Finalidade

  • Condensação do material
  • Restaurar o contorno proximal – proteção dos tecidos de suporte.

Características indispensáveis

  • Fácil adaptação e fixação ao dente;
  • Curto tempo de aplicação;
  • Proporcionar contorno correto;
  • Promover afastamento gengival;
  • Estabilidade;
  • Estender-se abaixo da parede gengival;
  • Estender-se 1,5mm acima da crista marginal.

Matrizes para amálgama

Indicações

  • Classe I comp.;
  • Classe II comp.;
  • Classe II complexa.

Matriz em aço > características

  • Resistência a tração;
  • Espessura adequada para condensação;
  • Flexibilidade;
  • Lisura de superfície alta.

5mm – pré-molares

7mm – molares

Nenhuma matriz por si só é suficiente para uma adaptação perfeita. E indispensável a associação com cunhas preparadas, as quais possibilitam o ajuste abaixo da parede gengival.

Cunhas

“Artefatos de madeira, plástico ou borracha, utilizados como meio de auxiliar no emprego da matriz”.

Funções

  • Adaptar matriz no dente;
  • Impedir excessos gengivais;
  • Favorecer a reconstituição da área de contato;
  • Compensar a espessura da matriz.

De lingual para vestibular

“Entre”

Ex. de 1° para 2° molar superior ® de V para L.

Inflamação crônica – redução óssea, cárie devido ao excesso de material que passa através da matriz quando não colocada/fixado adequadamente.

Matriz para amálgama

Tipos

  • Universal– todos os grupos de dentes;
  • Individual – um dente especifico.

Indicação

  • Se tiver grampo – individual;
  • Se não contem grampo – universal

Individual – Se uma cavidade Classe II possuir uma das caixas proximais bastante ampla no sentido VL ou quando houver perda de cúspide.

Porta matriz (universal)

O lado aberto deve estar voltado para cervical, separá-lo da matriz antes que seja removido do dente.

Matriz individual – desvantagens

  • Difícil confecção;
  • Tempo do preparo prolongado.

Matriz individual – vantagem

  • Melhor resultado.

Individuais

Matriz de Barton

  • Técnica de confecção.

Cuidado na remoção da matriz

Universal

  • Solta o porta-matriz;
  • Corta com uma tesoura e puxa por vestibular.

Preparo e restauração MO em amálgama – elemento 1.5

Acesso com broca nº1;

Profundidade – ponta ativa da broca 330;

Na proximal – 225 (movimentos pendulares de V para lingual).

Caixa proximal – perfuração do esmalte proximal abaixo do ponto de contato (24s) broca

Curva reversa de Hollenback

Acabamento e polimento de restaurações de amálgama

Acabamento – procedimento que remove os excessos do material restaurador.

Polimento – tratamento da superfície do acabamento.

  • Remoção de resinas;
  • Redefinir anatomia da restauração;
  • Remoção de saliências do esmalte;
  • Minimizar corrosão;
  • Melhorar higienização.

Vantagens do acabamento

  • Ajustar margens da restauração

Instrumental clinico

  • Material para isolamento;
  • Fresas multilaminadas;

Conjunto de pontos de borracha.

Conteúdo resumido da aula do Prof. Fernando Osternack
Contribuição: Leonardo M. Sant’Anna, Biotecnologia

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