A psicologia aplicada à odontologia constitui um corpo de conhecimentos teóricos e técnicos derivados da psicologia clínica da saúde e utilizado para a avaliação, controle e modificação de comportamentos de indivíduos (clientes e familiares) inseridos em contextos de tratamento odontológico (Moraes; Pessoti, 1985). Os diferentes procedimentos de intervenção psicológica podem ser aplicados a todas as áreas da odontologia, da clínica geral às especialidades, incluindo a ortodontia, a periodontia e a endodontia. Refletem uma filosofia da atenção integral à saúde do homem, em sua unidade biopsicossocial, considerando seu ambiente físico e seu meio sociocultural (Jacob, 1995; Singh, Moraes; Ambrosano, 2000).

O objetivo principal da psicologia aplicada à odontologia é interferir nas variáveis psicossociais que medeiam os processos de diagnóstico, tratamento e reabilitação em odontologia, visando a promover e manter o estado geral de saúde do indivíduo, bem como a prevenir e facilitar o enfrentamento eficiente de situações de tratamento dos transtornos bucais de usuários de sistemas de saúde.

Denominam-se variáveis psicossociais todos aqueles elementos psicológicos que os indivíduos tem ou adquirem por meio de imitação ou experiência, tais como:

  • sentimentos
  • crenças
  • ideias
  • pensamentos

Essas variáveis ocorrem principalmente em situações estressantes. Quando mais vulnerável o indivíduo se sentir em uma determinada situação, maior a intensidade com que as variáveis psicossociais tendem a se manifestar,

As crianças que foram expostas à algumas situações estrelantes podem apresentar alguns comportamentos como;
  1. fuga (que incluem deixar a situação o mais rápido possível, sair correndo ou ir embora);
  2. comportamentos em que evitam submeter-se à condição ou a uma situação específica da condição (designados como comportamentos de esquiva, como se recusar a sentar na cadeira ou abrir a boca para um exame clínico);
  3. imobilização motora (que incluem permanecer inerte, agarrado ao colo de um familiar, paralisado frente à situação percebida;
  4. enfrentamento da situação (que incluem passar pela situação enfrentando, por meio de estratégias comportamentais e/ou cognitivas, os elementos identificados como aversivos).

No caso específico de medo de dentista, podemos levantar a hipótese de que pode se tratar de um temor aprendido a partir das primeiras experiências infantis com tratamentos odontológicos mal conduzidos ou cujas situações vivenciadas produziram excessivos desconfortos físicos e/ou psicológicos.

Procedimentos de manejo comportamental

A modelação, procedimento no qual a criança assiste um vídeo (ou slides, ou mesmo cenas ao vivo) de uma outra criança que foi submetida a um procedimento odontológico semelhante àquele que será executado nela. A observação de um outro indivíduo exposto a uma situação ameaçadora e que tenha apresentado repertório de comportamentos adequado pode encorajar o cliente a submeter-se à mesma situação. Neste caso, desloca-se a atenção da criança para os comportamentos colaborativos e não para o procedimento odontológico a ser executado.

Procedimentos de relaxamento muscular, efetuados imediatamente antes da execução de um procedimento odontológico, podem ser úteis em produzir uma diminuição gradativa da tensão muscular da criança, bem como maior autocontrole respiratório, reduzindo a agitação motora da mesma durante o período de tratamento. O relaxamento muscular pode ser conjugado com procedimentos de visualização cognitiva, nos quais a criança é convidada a criar estímulos mentais (imagens) que se contraponham a estímulos produtores de ansiedade e medo.

Um procedimento muito útil para determinados clientes que preferem ter controle total sob a situação a que serão submetidos, é a combinação de estratégias de apresentação, nomeação, descrição e demonstração (a estratégia de manejo identificada como conte, mostre e faça). Neste caso, o odontopediatra apresenta os principais instrumentos que serão utilizados no tratamento, nomeia-os, descreve-os e demonstra sua utilização à criança. Observa-se que a demonstração pode ser efetuada verbalmente ou, ainda, em modelos de gesso ou vídeo. A apresentação dos instrumentos tem o objetivo de reduzir a ansiedade da criança diante de uma situação desconhecida, evitando a geração de temores e crenças disfuncionais. A cada passo do tratamento, a criança pode receber explicações detalhadas sobre sua execução, desde que apresentadas de

A distração é um dos procedimentos mais referidos na literatura como potencialmente eficiente, se forem apresentados à criança estímulos suficientemente atrativos e incompatíveis com a tensão psicológica gerada pela situação de consultório e do tratamento odontológico. Uma criança que tenha medo de dentista, provocado por determinado ruído de instrumento odontológico, por exemplo, pode permanecer ouvindo música, com fones de ouvido, durante todo o tempo de duração da consulta. Uma outra criança pode, durante o tratamento, assistir programas de televisão em um monitor de vídeo fixado sobre o teto do consultório. A distração possui o objetivo geral de desviar a atenção da criança de estímulos aversivos aos quais ela é vulnerável para elementos agradáveis e mais reforçadores.

Conteúdo retirado do artigo: PSICOLOGIA APLICADA À ODONTOPEDIATRIA: UMA INTRODUÇÃO,  Áderson Luiz Costa Junior
Fonte da imagem: http://www.lisdeoliveira.com.br/a-mente-humana-e-preguicosa-diz-psicologo/[divider]

Autor:

jeff

 

 

Jefferson P. Oliveira, 24 anos. Acadêmico do 5º ano do  curso
de Odontologia da Universidade Positivo, Curitiba – PR

 

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