Inúmeras pesquisas sobre injúrias e traumas dentais relacionadas a esportes, documentaram que participantes de todas as idades, gêneros e níveis de habilidade possuem risco de desenvolver injúrias dentais em atividades esportivas (oficiais e não oficiais). Para proteger o indivíduo de lesões, o uso de protetores bucais é altamente recomendados.

Os traumas decorrentes da prática esportiva representam uma parcela importante entre as etiologias do traumatismo dentário. Dessa maneira, abre-se um nicho de mercado dentro da Odontologia: a confecção de protetores bucais. Mas você sabe como funciona?

Os protetores bucais são dispositivos geralmente confeccionados de vinil ou borracha, que se adaptam e que visam proteger dentes e tecidos de suporte de traumatismos e impactos, minimizando a possibilidade de comprometer o aparelho estomatognático durante a prática esportiva, além de reduzir a possibilidade de injúrias de cabeça e pescoço.

PROTETORES

Tipos de Protetores Bucais

Protetores de Estoque ou Universais 
São dispositivos geralmente encontrados em tamanho padronizado, confeccionados em borracha, cloro polivinil ou co-polímero acetato-polietileno. São poucos satisfatórios, muito volumosos, desconfortáveis e só ficam retidos aos dentes quando o arco está ocluído. Interferem na fala e na respiração. Tendo como vantagem o custo e a fácil aquisição.

Protetores Pré-fabricados 
Revestidos de concha (shell-liners): volumosos, confeccionados de cobertura de cloro polivinil e ajustados com acrílico gel ou borracha de silicone, aumentando a dimensão vertical, apresentam pouca retenção e conforto.
Termoplásticos (boilandbite) – são menos volumosos e mais confortáveis que os pré-fabricados, confeccionados de acetato polivinílico que é plastificado em água quente e então moldado na boca pelo usuário, pré-formados em tamanho padrão e podem ser refeitos e ajustados quando necessário. Apresentando como desvantagens a distorção, dureza e insensibilidade do material à contínua exposição aos fluidos bucais. Também podem ser comprados em muitas lojas de produtos esportivos e podem oferecer um melhor encaixe do que protetores bucais de estoque.

Protetores Sob-medida ou Customizados 
É o ideal para a proteção. São confeccionados pelo cirurgião-dentista após a obtenção de um modelo da maxila e mandíbula do paciente com placas de vinil, borracha, poliuretano com borracha, borracha de silicone, polivinil acetato ou com resina termoplastificada na máquina de confomação a vácuo. É o dispositivo mais retentivo, confortável e o que oferece melhor adaptação e proteção superior na prevenção de traumatismos. As alterações de fala e respiração são mínimas com esse protetor.

Protetores Customizados Multilaminados
Semelhante ao protetor anterior, é confeccionado com várias camadas (lâminas) de EVA, conformadas através de temperatura elevada sobre o modelo de gesso com o auxilio de uma máquina termopressurizada. Com uma espessura uniforme, esse protetor oferece máxima proteção ao atleta. É possível nesse modelo, a mistura de cores, inserção de nomes e imagens. No entanto, o seu custo é elevado.


Técnica de Confecção

Antes da confecção do protetor, alguns passos devem ser avaliados, como:

  • Exame oral para confirmar boa saúde dentária.
  • Lesões cariosas presentes devem ser tratadas.
  • Remoção de dispositivos protéticos para moldagem e uso do protetor.
  • Bloqueio no modelo de qualquer área onde haverá erupção dental.

Depois de tratados as questões prévias, partimos para a fase clínica da confecção:

Moldagem com alginato e obtenção de modelo de gesso
Molda-se toda arcada superior e musculatura com moldeiras de estoque. Na fase laboratorial é realizado o vazamento da moldagem com gesso pedra ou gesso de alta resistência, exceto na região do palato.

Compressão do modelo
O modelo, já recortado e alinhado, deverá ser revestido com material isolante e levado à máquina de vácuo, que já estará com a lâmina de EVA termoplastificada para a confecção do protetor. Após a compressão da lâmina de EVA no modelo, o vácuo deverá ser mantido por aproximadamente 2 minutos e nesse tempo o material amolecido pode ser adaptado manualmente com uma toalha de papel molhada. Quando o modelo estiver completamente frio, recortar o excesso com tesoura

Remoção do protetor do modelo de gesso 
O modelo deve ser emergido em água e, posteriormente, retirado com cuidado, seguindo os cortes e adaptações na zona superior do vestíbulo, cerca de 3 mm acima da borda gengival, desobstruindo freios e inserções musculares. O acabamento e polimento são feitos com brocas de peça de mão e ao final com lâmpada de álcool para dar alisamento e brilho final

Acabamento e polimento
O acabamento e polimento são feitos com brocas de peça de mão e ao final com lâmpada de álcool para dar alisamento e brilho final

Alguns critérios devem ser seguidos na confecção do protetor

  • Cobrir todos os dentes superiores e o palato (4 a 6mm).
  • Não deve interferir no espaço funcional livre.
  • Não deve traumatizar a mucosa e por isso todos os ângulos deverão ser arredondados e as extemidades em forma de cunha para um maior conforto.
  • A estética deverá ser aceitável, não devendo ser esquecida.
  • Em pacientes com ausências dentárias, bordas oclusais de vinil podem ser confeccionadas no protetor para substituir os dentes. Alguns cuidados devem ser seguidos para uma melhor conservação do protetor bucal.
  • A limpeza deve ser feita com pasta de dente e escova imediatamente após o uso.
  • Devem ser guardados secos em caixa de armazenamento perfurada.
  • Não deixar os protetores em contato com o sol para não ressecarem.
  • Não ranger os dentes contra o protetor, pois isso diminui sua durabilidade.
  • Lembrar que o protetor é individual e não é recomendável que seja emprestado.

Referências

-Janaina Lima de Barros. Protetores Bucais e Sua Prevenção Nos Traumatismos Dentais Durante a Prática Esportiva. Faculdade de Odontologia da UFMG, 2012.
-Alessandro Ribeiro Gonçalves. Protetores bucais: tipos e técnica de confecção. Prosthes. Lab. Sci. 2012; 2(5):61-68.
-Knapik JJ, Marshall SW, Lee RB, Darakjy SS, Jones SB, Mitchener TA, et al. Mouthguards in sport activities: history, physical properties and injury prevention effectiveness. Sports Med. 2007;37(2):117-44.
-ADA American Dental Association [internet]. Chicago: The American Dental Association, Inc.; c1995-2009 [updated 2005 march 3; cited 2009 july 26]. Available from: http:// www.ada.org/; http://www.ada.org/prof/resources/positions/statements/mouthgards.asp

 

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